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 O desejo de um bombeiro

Clique para ampliar Publicado no Boletim informativo O BOMBAS dos B. V. de Aguda


Não sei quem é o autor...
 
Também não me importa se é homem ou mulher...     
 
Também não me incomoda o facto de ser branco ou   negro... Muito menos me incomoda o facto de católico ou protestante...
 
O que me incomoda, isso sim, é o facto de ser um incondicional entusiasta do trabalho dos BOMBEIROS e estes serem tão ignorados!
 
O texto abaixo fez-me chorar.

                        O desejo de um bombeiro …….

 Desejava que pudesses ver a tristeza de um homem de negócios quando o trabalho da sua vida desaparece em chamas ou uma família que regressa a casa e apenas encontrar a sua casa e os seus pertences danificados ou destruídos.

Desejava que pudesses saber o que é procurar num quarto a arder por crianças presas... As chamas por cima da tua cabeça, as palmas das mãos e os joelhos a queimarem enquanto tu rastejas... O chão a ranger com o teu peso, enquanto a cozinha arde por baixo de ti. Desejava que pudesses compreender o horror de uma esposa quando às 3 da manhã verifica que o marido não tem pulso... Inicio o S.B.V. (suporte básico de vida) no mesmo, esperando uma hipótese muito remota de trazê-lo de volta... Sabendo instintivamente que é tarde demais...

Mas querendo que a família soubesse que tudo o que era possível foi feito. Desejava que pudesses saber o cheiro único de uma queimadura, o gosto da saliva com sabor a fuligem... sentir o intenso calor que passa através do equipamento, o som dos estalos das chamas, a sensação de não conseguir ver absolutamente nada através do fumo denso... Sensações que se tornaram muito familiares para mim...

Desejava que pudesses compreender como nos sentimos ao ir para o trabalho de manhã após passarmos a maior parte da noite suando com o calor de diversas chamadas de fogo...

 Desejava que pudesses ler o meu pensamento quando respondo a uma chamada para um edifício a arder, 'Será falso alarme ou um enorme incêndio? Como será a construção do edifício? Que perigos esperam por mim? Estará alguém lá dentro ou saíram todos?'

'Ou para uma chamada de socorro. 'o que se passará com o doente? Será que a pessoa que telefonou está mesmo em apuros ou estará à minha espera com uma arma?'.

Desejava que pudesses estar na sala de reanimação quando o médico decide anunciar a morte da linda menina de cinco anos que tenho tentado salvar durante os 25 minutos anteriores, e que nunca irá ter o seu primeiro namorado, nem nunca mais irá dizer 'gosto muito de ti, mãe' ...

Desejava que pudesses saber a frustração que sinto na cabina do autotanque, o motorista com o acelerador a fundo, o meu braço a tocar a sirene vezes sem conta quando não se consegue passar por um cruzamento ou no meio do trânsito. Quando vocês precisam de nós, no entanto, o primeiro comentário quando chegamos será 'levaram muito tempo para cá chegar'.

Desejava que pudesses ler os meus pensamentos enquanto ajudo a retirar os restos de uma jovem do seu veiculo contorcido, 'e se fosse a minha irmã, a minha namorada ou alguma amiga? Qual será a reacção dos seus pais quando abrirem a porta e verem policias?'

Desejava que pudesses saber como é entrar em casa,  cumprimentar a família não tendo coragem para lhes dizer que quase não voltei da última chamada.

Desejava que pudesses sentir os meus sentimentos quando as pessoas verbalmente, e às vezes fisicamente, nos maltratam ou subestimam o que fazemos, ou quando têm a atitude 'isto nunca me aconteceria'.

Desejava que pudesses perceber a instabilidade mental, emocional e física de refeições perdidas, sonos perdidos e a falta de actividades sociais associadas todas as tragédias que os meus olhos já viram.

Desejava que pudesses saber a irmandade que existe e a satisfação de ajudar a salvar uma vida, a preservar as coisas de alguém, a estar 'lá' nos tempos de crise ou a criar ordem quando existe um caos total.

Desejava que pudesses compreender como nos sentimos quando temos uma criança a puxar-­nos o braço e a perguntar 'a minha mãe está bem?' sem sequer conseguir olhar nos seus olhos sem deixar cair umas lágrimas e sem saber o que responder. Ou ter de segurar um amigo de longa data enquanto o seu companheiro vai na ambulância a receber respiração boca a boca. Sabendo de antemão que ele não trazia o cinto de segurança posto. Sensações que me ficaram muito familiares...

A menos que tenhas vivido este tipo de vida, nunca conseguirás entender verdadeiramente ou apreciar QUEM EU SOU, O QUE NÓS SOMOS OU O QUE O NOSSO TRABALHO SIGNIFICA REALMENTE PARA NÓS ... Desejava que pudesses …

 


   5 Mai 2007 PDF Formato para impressão Voltar ao topo Voltar atrás Enviar por e-Mail     




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